Adaptações provocadas pelo exercício físico

Olá, seja muito bem-vindo ao Blog da Simple Pharma. Se você está procurando estudar mais sobre as adaptações provocadas pelo exercício físico, não tenho receio nenhum em te dizer que sim, vou está no lugar certo. Agora no texto de hoje, vou te explicar sobre as principais adaptações que o exercício físico pode provocar no praticante do exercício físico, como você ou o seu paciente.



Treino resistido com pesos


Para fins didáticos, dividi o texto de hoje em duas partes segundo os exercícios físicos que tipicamente são a modalidade de escolha da maioria dos seus pacientes em nutrição esportiva, o treino resistido com pesos e o endurance (exercício aeróbico). No que se refere ao treino resistido com pesos, as adaptações são decorrentes da ocorrência do estímulo de sobrecarga no músculo esquelético, assim, o indivíduo pode alcançar a hipertrofia muscular. Por definição, a hipertrofia muscular é o aumento do diâmetro individual das fibras musculares e consequentemente, da área da secção transversa muscular, processo no qual pode ocorrer a partir da maior adição de sarcômeros e miofibrilas em paralelo.


Sendo assim, o atleta pode se beneficiar do aumento do volume muscular e do ganho de força. Contudo, com o objetivo de que essa adaptação ocorra em superior magnitude e a médio e longo prazo, o estímulo à síntese proteica deve ocorrer em superior magnitude a degradação proteica. Mais especificamente, a síntese proteica é regulada pela via da mammalian target of rapamycin (mTOR), na qual apresenta como algumas das etapas principais a sua ativação por meio da fosfatidilinositol 3 quinase (PI3k), que é considerada crucial para a ativação de Akt.


A partir da ativação da AKT, sucede-se a ativação de outras três proteínas essenciais nessa via: p70s6k, eIF4E e 4E-BP1. Porém, como resultado dessa via que foi estimulada inicialmente pela sobrecarga mecânica do treino, somente o treinamento de força não é suficiente. Deve haver o suporte nutricional do praticante através do balanço energético positivo, da distribuição dos nutrientes ao longo do dia com destaque ao aporte e a distribuição das proteínas, além da suplementação nutricional quando necessária para o complemento das necessidades nutricionais.


Endurance


Já no que diz respeito ao praticante do endurance, ou o "exercício aeróbico" de modo geral, as adaptações giram principalmente em torno da disponibilidade de nutrientes ao atleta. Sobre esses nutrientes, o principal que orquestra tais adaptações é o carboidrato. De acordo com a prática do exercício de endurance sob baixa disponibilidade de glicogênio muscular e hepático, as principais adaptações decorrentes de sua ausência dizem respeito à otimização da oxidação lipídica e da biogênese mitocondrial.

No que se refere a oxidação lipídica, sucede-se a maior mobilização do triacilglicerol estocado no tecido adiposo e no tecido muscular e consequentemente, a partir do aumento da atividade de enzimas como a Lipase Hormônio Sensível (LHS) e da carnitina palmitoil transferase 1 e 2 (CPT1 e CPT2). Desse modo, mais ácidos graxos adentram a mitocôndria e podem ser oxidados através do processo de beta-oxidação do ácido graxo.


Para encerrar o texto de hoje, outra adaptação esperada é o estímulo à biogênese mitocondrial. Esse processo é definido como o aumento do tamanho, do número e do volume das mitocôndrias que compõem a célula, sendo comandado a partir do estresse pelo qual a célula é levada devido a falta de glicose como substrato energético. Saiba que processo tem atividade transcricional com seu pico nas horas seguintes ao treino, como consequência da maior atividade de moléculas sinalizadoras, como PGC-1 alpha e AMPK durante a realização do exercício sob restrição de carboidratos. Portanto, a manipulação do estoque de glicogênio pode regular a atividade transcricional e assim aprimorar as respostas ao treinamento.


Referências bibliográficas


SCHOENFELD, Brad J. The Mechanisms of Muscle Hypertrophy and Their Application to Resistance Training. Journal Of Strength And Conditioning Research, [S.L.], v. 24, n. 10, p. 2857-2872, out. 2010.

PAUL, Angelika C.; ROSENTHAL, Nadia. Different modes of hypertrophy in skeletal muscle fibers. Journal Of Cell Biology, [S.L.], v. 156, n. 4, p. 751-760, 11 fev. 2002.

Jeukendrup AE. Periodized Nutrition for Athletes. Sports Med. 2017 Mar;47(Suppl 1):51-63.

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