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Papel da N-acetilcisteína no fortalecimento do sistema imune


A N-acetilcisteína (NAC) é uma substância necessária para a produção de glutationa, uma das moléculas que compõem o sistema endógeno antioxidante, ou seja, aquele que naturalmente existe no nosso organismo para combater os radicais livres. Aqui vale ressaltar que esses radicais livres são produzidos como consequência de uma série de processos no nosso corpo, mas como em excesso podem causar danos às células e tecidos, o próprio organismo dispõe de um sistema antioxidante para combatê-los. Quando consumimos antioxidantes, potencializamos a ação desse sistema endógeno. Devido à capacidade de aumentar os níveis de glutationa, a NAC é considerada uma substância que contém características antioxidantes, mas também possui potencial anti inflamatório e de modulação da imunidade.


Essa última atribuição se deve a sua capacidade de estimular o sistema imune, melhorando a resposta dos linfócitos T, células que atuam no combate a microrganismos invasores. Além disso, a NAC diminui a inflamação e inibe uma via necessária para a replicação dos vírus, ou seja, impede que os vírus tomem conta das células do hospedeiro e causem uma infecção. Justamente por controlar a inflamação, durante a atual pandemia de covid-19, a NAC foi considerada um possível complemento terapêutico para o tratamento de pessoas infectadas, devido à sua capacidade de minimizar a “tempestade de citocinas”, um dos principais mecanismos responsáveis por causar os danos ao aparelho respiratório.


Outra potencialidade bastante atribuída, e talvez mais conhecida, da N-acetil cisteína é sua capacidade expectorante/mucolítica, que na prática significa reduzir o espessamento do muco gerado durante infecções respiratórias, facilitando a liberação das vias aéreas. Essa característica fez com que fosse descoberta outra capacidade da NAC: de impedir a formação e também de destruir biofilmes bacterianos.


Os biofilmes são estruturas produzidas pelas bactérias para protegerem-se contra agentes antimicrobianos, como os antibióticos e outras substâncias produzidas pelas células do nosso sistema imune. É como se fosse uma espécie de camada que aumenta sua resistência e sobrevivência, fazendo com que possam infectar vários órgãos e tecidos. Quando as bactérias produzem esse tipo de estrutura, os antibióticos e nossas defesas naturais são menos eficazes em combatê-las. O uso concomitante de NAC surge então como uma alternativa para controlar o crescimento desses biofilmes (devido à sua capacidade de quebrar as substâncias que os compõem) e causar a sua destruição.


Existem diferentes formas de fazer o uso da N-acetilcisteína: intravenosa, por inalação ou oral. Por muito tempo acreditou-se que a baixa biodisponibilidade da NAC compromete-se a ingestão oral, ou seja, muito pouco do que era ingerido seria efetivamente absorvido. Porém, hoje já se sabe que a NAC é adequadamente absorvida no intestino e ao interagir com as células imunes, dá um “up” na nossa imunidade, auxiliando principalmente no combate à infecções virais, como a causada pelo SARS-CoV-2 e o vírus da Influenza.


As quantidades necessárias para fortalecimento do sistema imune são obtidas via uso de suplementação. Pessoas saudáveis podem fazer o uso para prevenir infecções, enquanto pessoas infectadas podem se beneficiar de doses maiores para auxiliar no combate aos microrganismos invasores. O uso deve ser recomendado e acompanhado por profissional, para direcionamento da dose e do melhor horário de uso.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Shi, Z., & Puyo, C. A. (2020).N-Acetylcysteine to Combat COVID-19: An Evidence Review. Therapeutics and Clinical Risk Management, Volume 16, 1047–1055. doi:10.2147/tcrm.s273700


S. Dinicola,, S. De Grazia, G. Carlomagno & J.P. Pintucci. (2014) N-acetylcysteine as a powerful molecule to destroy bacterial biofilms. A systematic review. European Review for Medical and Pharmacological Sciences, 18: 2942-2948.


Poe, F. L., & Corn, J. (2020). N-Acetylcysteine: a potential therapeutic agent for SARS-CoV-2. Medical Hypotheses, 109862. doi:10.1016/j.mehy.2020.109862


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