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Enzimas de ação gástrica: o que você deve saber?


Tipicamente, as enzimas pancreáticas como a pancreatina são as mais prescritas e possuem ação no intestino delgado, ao realizar a quebra mecânica dos substratos em cadeias menores. Contudo, o estômago é um órgão muito negligenciado na prática clínica que pode acarretar na ocorrência de diversas desordens gástricas, como úlceras e gastrite. Entenda que o bolo alimentar passa pelo esôfago e então chega ao estômago.


O estômago é um órgão extremamente ácido para que haja a quebra de lipídios pela ação da lipase gástrica e principalmente, de proteínas, pois essa acidez é necessária para a ativação do pepsinogênio em pepsina, enzima na qual é a principal responsável pela digestão proteica no estômago. Essa acidez gástrica, com pH em torno de 1-3, também é responsável pela dissolução do bolo alimentar em quimo antes de ir para o duodeno, além de que hoje já se sabe da sua importância inclusive para a redução da inflamação sistêmica e ao sistema imune, pois essa acidez ajuda a impedir que possíveis patógenos atinjam o intestino.


Porém, saiba que você deve ter alguns cuidados ao suplementar enzimas de ação gástrica, seja pela melhorar a digestão de algum macronutriente, como no caso da pepsina, como para acidificar mais o estômago, como no caso da betaína HCL. Basicamente, entenda que o seu paciente não consegue ter uma boa digestão sem a acidez estomacal adequada. Logo, se não tratada, a falta de acidificação estomacal pode contribuir para o desenvolvimento da disbiose, supercrescimento bacteriano (SIBO), refluxo alcalino, infecção por H.pylori, distensão abdominal, gases e alteração na frequência e consistência das fezes, entre outros sinais e sintomas.


A betaína HCL funciona principalmente acidificando o meio com o objetivo de que as reações que são otimizadas em um meio mais ácido. Porém, aqui vai uma ressalva: na maioria dos casos, pacientes com condições prévias de lesões estomacais, como úlceras ou no caso de gastrite, não devem usar. Isso acontece pois ao acidificar-se ainda mais o meio, tais condições podem agravar-se. A sua utilização é mais proveitosa principalmente para pacientes com hipocloridria, com uso prolongado de medicamentos inibidores de bomba de próton e/ou com dificuldade de digestão de proteínas.


Por fim, certifique-se de que a cápsula que você prescreveu a enzima não é gastrorresistente. Saliento este ponto, pois lembre-se que a enzima deve neste caso, desempenhar o seu papel no estômago, ou seja, a cápsula deve abrir no estômago a partir da acidez estomacal.


Referências bibliográficas

Boland M. Human digestion--a processing perspective. J Sci Food Agric. 2016 May;96(7):2275-83. doi: 10.1002/jsfa.7601.


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