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Zinco, selênio e cobre: quando suplementar?


As deficiências de diversos tipos de micronutrientes são cada vez mais comuns na população em geral, e especialmente em um momento que vivemos uma pandemia global devido à uma infecção viral, devemos nos atentar a isso, visto que a ingestão inadequada de vitaminas e minerais aumenta a predisposição à infecções. Além de oferecer energia, uma alimentação adequada é fundamental para ofertar os micronutrientes necessários para o desenvolvimento, manutenção e funcionalidade eficiente do sistema imune. Entre os nutrientes que já são reconhecidamente associados ao adequado funcionamento imunológico, podemos citar o zinco, o cobre e o selênio.


O zinco é um mineral presente em carnes, ovos e vários vegetais, especialmente os verde escuro. No nosso organismo, atua como antioxidante, ajuda a reduzir a liberação de substâncias com característica pró inflamatória, é necessário para manter a integridade da pele e das membranas que protegem os nossos tecidos e exerce um papel central no crescimento e maturação de células imunes. Tais ações justificam o impacto causado na imunidade quando há deficiência de zinco: mesmo a mais leve redução nos seus níveis pode alterar a resposta imune e enfraquecer as defesas inatas do organismo. Crianças são um importante grupo de risco para deficiência de zinco, devido à ingestão insuficiente e elevada utilização pelas células, estando mais suscetíveis à diarréias e doenças respiratórias.


O cobre, presente na carne de fígado, castanhas e sementes, também exerce importante função antioxidante e possui propriedade antimicrobiana, auxilia a aumentar o número de linfócitos, é necessário para a produção de anticorpos e para o funcionamento de diferentes tipos celulares da imunidade. O selênio, cuja principal fonte é a castanha do Pará, é fundamental para a função de enzimas chamadas selenoproteínas, que têm papel de combater radicais livres e melhorar as funções de células do nosso sistema de defesa. Além disso, esse mineral é essencial para a produção de anticorpos e para a proliferação de células.


Conhecendo algumas das funcionalidades desses minerais no sistema imune, fica fácil entender o porquê de algumas pessoas terem seus sistemas imunes enfraquecidos devido à deficiências nutricionais. Ao que indica a literatura científica, melhorar os níveis dos micronutrientes para os valores recomendados pode melhorar a função imune e aumentar a resistência à infecções, assim como promover recuperação mais rápida de várias doenças. De forma geral, especialmente a respeito do zinco, cobre e selênio, uma alimentação balanceada poderia ser o suficiente para atingir os níveis necessários. Porém, alguns pontos precisam ser considerados:


  • As necessidades desses minerais variam de acordo com a idade, e para alguns grupos, como os idosos, pode ser difícil atingir esses níveis, devido à menor ingestão alimentar que acompanha o envelhecimento;

  • Ao mesmo tempo que uma alimentação inadequada compromete a imunidade, a resposta imune pode reduzir os estoques de certos nutrientes, especialmente aqueles necessários ao seu funcionamento. Dessa forma, os níveis podem ficar diminuídos após uma infecção;

  • Micronutrientes com ação antioxidante, como o zinco, cobre e selênio, tendem a ter necessidades aumentadas devido a certos fatores de estilo de vida, como estresse crônico e exposição à poluentes;

  • A necessidade diária de alguns micronutrientes para dar suporte para a função imune talvez sejam maiores do que as recomendações atuais, principalmente no caso do zinco.


E assim, podemos responder a questão: zinco, cobre e selênio - quando suplementar? Primeiramente, é preciso atestar a deficiência, a partir de exames de sangue. Caso exista, e se houver a recomendação de um profissional, cabe o uso dos suplementos. As situações citadas acima também devem ser consideradas para iniciar a suplementação. O mais importante é garantir que não haja ingestão desses minerais acima do valor máximo tolerado, para evitar efeitos adversos. Os suplementos usualmente oferecem quantidades que tem uma margem de segurança em relação a esse limite, mas é preciso casar a suplementação com os hábitos alimentares para determinar a real necessidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


Maggini, S., Pierre, A., & Calder, P. (2018). Immune Function and Micronutrient Requirements Change over the Life Course. Nutrients, 10(10), 1531. doi:10.3390/nu10101531


Gombart, A. F., Pierre, A., & Maggini, S. (2020). A Review of Micronutrients and the Immune System–Working in Harmony to Reduce the Risk of Infection. Nutrients, 12(1), 236. doi:10.3390/nu12010236


Calder, P. C., Carr, A. C., Gombart, A. F., & Eggersdorfer, M. (2020). Optimal Nutritional Status for a Well-Functioning Immune System Is an Important Factor to Protect against Viral Infections. Nutrients, 12(4), 1181. doi:10.3390/nu12041181


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