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Análogos de GLP-1:

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

O que são, como funcionam, e por que estão revolucionando o tratamento da obesdidade

Entenda de forma simples tudo sobre essa classe de medicamentos que ganhou o mundo e o que ela pode fazer pelo seu tratamento.

Simple Pharma • Leitura: 4 minutos • Abril 2026


Nos últimos anos, dificilmente alguém não ouviu falar em semaglutida, liraglutida ou tirzepatida. Esses nomes, antes restritos aos consultórios médicos, chegaram às redes sociais, às farmácias e às conversas do dia a dia. Mas o que exatamente são esses medicamentos? Como agem no corpo? E por que têm gerado tanto interesse e tanta polêmica?

Neste artigo vamos explicar de forma clara e acessível o que são os análogos de GLP-1, quais estão disponíveis no Brasil, como funcionam e o que esperar do tratamento, sempre com o acompanhamento de um profissional de saúde. O que é o GLP-1?

GLP-1 é a sigla para Glucagon-Like Peptide-1, ou Peptídeo Semelhante ao Glucagon tipo 1 em português. Trata-se de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo, no intestino delgado, toda vez que nos alimentamos.

Esse hormônio tem um papel fundamental: sinaliza ao pâncreas que é hora de liberar insulina, reduz a velocidade com que o estômago se esvazia e avisa ao cérebro que o corpo está satisfeito. Em resumo, o GLP-1 é um dos principais responsáveis pela sensação de saciedade depois de uma refeição.

Os análogos de GLP-1 são medicamentos desenvolvidos para imitar essa ação, com a vantagem de agir por muito mais tempo no organismo do que o GLP-1 natural, que é degradado em apenas alguns minutos.


Como agem no corpo?

Quando administrado, o análogo de GLP-1 age em diferentes frentes ao mesmo tempo:

  • Estimula a liberação de insulina pelo pâncreas de forma proporcional à glicose no sangue, o que reduz o risco de hipoglicemia.

  • Reduz a secreção de glucagon, hormônio que eleva a glicose sanguínea.

  • Retarda o esvaziamento gástrico, prolongando a saciedade depois das refeições.

  • Age no sistema nervoso central, reduzindo o apetite e a vontade de comer.


Os análogos de GLP-1 não são "remédios para emagrecer" no sentido popular do termo. São medicamentos com indicação clínica específica, que atuam em mecanismos fisiológicos reais e, por isso, exigem prescrição e acompanhamento médico.


E quais análogos estão disponíveis no Brasil?

Atualmente a ANVISA tem registrados os seguintes medicamentos desta classe: Exenatida

A pioneira da classe, aprovada pelo FDA em 2005. Indicada principalmente para diabetes tipo 2, foi a primeira a demonstrar clinicamente que a classe poderia gerar perda de peso significativa. Mitraxa  

Conta com ampla evidência científica, incluindo redução de risco cardiovascular em pacientes diabéticos. Em doses maiores, também é indicada para o tratamento da obesidade.    Semaglutida

Atualmente a mais prescrita da classe. Os estudos demonstraram perdas de peso entre 10% e 15% do peso corporal em média. Em 2023 recebeu aprovação adicional para redução de risco cardiovascular, pelo estudo SELECT, e em 2024 para doença renal crônica, pelo estudo FLOW. Tirzepatida  —  Agonista dual GIP + GLP-1 

Representa um salto dentro da classe: atua ao mesmo tempo nos receptores de GLP-1 e GIP, outro hormônio da saciedade, oferecendo resultados superiores aos análogos anteriores. Os estudos SURPASS demonstraram reduções de HbA1c de até 2,58 pontos percentuais em pacientes diabéticos. Já os estudos SURMOUNT, voltados para obesidade, documentaram perdas de peso de até 22,5%, as maiores já registradas com medicamento na história da especialidade.

Dulaglutida

Boa praticidade posológica e perfil de segurança cardiovascular bem estabelecido. Especialmente utilizada no manejo do diabetes Atenção: a indicação para obesidade da tirzepatida (Zepbound) pode estar em processo de registro na ANVISA. Recomendamos verificar o status atualizado no portal da ANVISA antes de publicar este conteúdo, pois aprovações ocorrem de forma contínua.


Para quem é indicado?

Os análogos de GLP-1 são indicados principalmente para pessoas com diabetes tipo 2 e/ou obesidade, considerando IMC igual ou acima de 30, ou igual ou acima de 27 quando associado a comorbidades como hipertensão ou dislipidemia. A definição da indicação, da dose e do medicamento mais adequado é sempre responsabilidade do médico, que avalia o histórico clínico e os objetivos de cada paciente.

Não são indicados para pessoas sem diagnóstico de obesidade ou diabetes que desejam perder poucos quilos, para gestantes ou lactantes, nem para quem tem histórico de certos tipos de tumores da tireoide.


Quais são os benefícios comprovados?

  1. Redução de peso sustentada, especialmente quando associada a dieta e exercício.

  2. Melhora significativa do controle glicêmico em diabéticos tipo 2.

  3. Redução do risco de eventos cardiovasculares maiores em pacientes de alto risco.

  4. Melhora de marcadores metabólicos como pressão arterial, triglicerídeos e colesterol.

  5. Redução da gordura hepática em pacientes com esteatose.

E os efeitos adversos? Como qualquer medicamento, os análogos de GLP-1 podem causar efeitos adversos, especialmente no início do tratamento. Os mais comuns são náusea, refluxo, constipação ou diarreia e perda de apetite intensa. A boa notícia é que esses efeitos tendem a diminuir nas primeiras semanas, conforme o organismo se adapta. A progressão gradual da dose, sempre orientada pelo médico, é a principal estratégia para minimizar o desconforto inicial.

O que vem por aí?

A classe está em plena evolução, com moléculas em diferentes estágios de desenvolvimento clínico:

Fase 2 concluída

Retatrutida Triplo agonista de GLP-1, GIP e glucagon. Os estudos de fase 2 documentaram reduções de peso superiores a 24%, as maiores já registradas na história da farmacologia metabólica. O avanço para fase 3 ainda não foi iniciado junto ao FDA. Os resultados preliminares são promissores, mas a molécula não tem aprovação nem data definida para as próximas etapas. 

Fase 3

Orforglipron Agonista oral de GLP-1 não peptídico em fase 3, com resultados promissores. Pode ampliar significativamente o acesso ao tratamento por eliminar a necessidade de injeção. 

Fase 3

CagriSema Combinação de cagrilintida com semaglutida, com dados de até 22,7% de redução ponderal nos estudos disponíveis. Fase 3 em andamento. 


Os análogos de GLP-1 e os agonistas duais como a tirzepatida representam um avanço real e significativo no tratamento da obesidade e do diabetes, com evidências científicas sólidas e benefícios que vão muito além da perda de peso. Como todo tratamento, funcionam melhor quando bem indicados, acompanhados por profissionais de saúde e integrados a mudanças genuínas no estilo de vida.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui em hipótese alguma uma avaliação médica individualizada. Para diagnóstico e orientação adequada ao seu caso, procure um profissional de saúde habilitado. Cuidar da sua saúde deve sempre vir em primeiro lugar.


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